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title: Tulsi Gabbard abandona chefia da inteligência dos EUA
description: A directora de inteligência nacional dos EUA demite-se a 30 de Junho para acompanhar o marido diagnosticado com cancro nos ossos, deixando um cargo central no aparelho de segurança americano.
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datePublished: 2026-05-23T00:16:00.000Z
dateModified: 2026-05-23T00:18:06.647Z
author: Miguel Cruz
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categories: Internacional, Política
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publisher: Ponto Radar
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# Tulsi Gabbard abandona chefia da inteligência dos EUA

> A directora de inteligência nacional dos EUA demite-se a 30 de Junho para acompanhar o marido diagnosticado com cancro nos ossos, deixando um cargo central no aparelho de segurança americano.

![Tulsi Gabbard abandona chefia da inteligência dos EUA](https://firebasestorage.googleapis.com/v0/b/pontoradarcom.firebasestorage.app/o/articles%2Ftulsi-gabbard-abandona-chefia-da-inteligencia-dos-eua%2FHI9BCUKW4AAOUAI-1779495353544-open-graph.jpg?alt=media&token=cab0a3c9-a1d4-41e4-a5cc-d0c772925297)

Tulsi Gabbard, directora de inteligência nacional dos Estados Unidos, anunciou a sua demissão com efeitos a **30 de Junho de 2026**, invocando o diagnóstico de uma forma extremamente rara de cancro nos ossos do marido, Abraham Williams. A saída retira do aparelho de segurança americano uma das figuras mais controversas — e mais atacadas pelo establishment — da administração Trump.

## Porque é que Gabbard nunca foi perdoada pelo aparelho de Estado?

Gabbard foi confirmada como uma das figuras mais poderosas da comunidade de inteligência americana logo após o regresso de Trump à Casa Branca em 2025, passando a supervisionar as 18 agências de inteligência dos EUA. Mas a sua trajectória foi marcada por tensão permanente com o sistema. Antiga democrata, anti-intervencionista e sem experiência prévia na área da inteligência, foi uma escolha invulgar para o cargo e enfrentou desde o início a desconfiança do aparelho de segurança nacional.

A fractura mais visível ocorreu em torno do conflito com o Irão. Em Março de 2026, perante o Congresso, Gabbard declarou que o Irão não procurava construir uma arma nuclear — ao que o próprio Trump respondeu publicamente: «I don't care what she said. I think they were very close to having a weapon.» Nas semanas seguintes, à medida que a operação militar avançava, Gabbard manteve-se em baixo perfil, evitando endossar publicamente a decisão presidencial. O ODNI esteve ainda envolvido numa disputa pública com a CIA, depois de um membro do grupo especial criado por Gabbard ter testemunhado no Senado que a CIA obstruíra esforços internos do ODNI.

## O que revela a saída do seu principal conselheiro antes da dela?

Antes de Gabbard anunciar a sua demissão, o director do Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC) e antigo chefe de gabinete de Gabbard, **Joe Kent**, já tinha abandonado a administração, precisamente por discordar da guerra com o Irão. Na carta de demissão, dirigida directamente a Trump, Kent escreveu que «o Irão não representava uma ameaça iminente para a nossa nação» e que a guerra fora iniciada «devido à pressão de Israel e do seu poderoso lobby americano». Apelou ao presidente para reverter o rumo.

Gabbard acabou por apoiar publicamente Trump na questão iraniana após a saída de Kent, afirmando que cabe ao presidente determinar o que constitui ameaça iminente. Mas a sequência dos acontecimentos é reveladora: a directora de inteligência nacional esteve crescentemente isolada durante as operações militares mais significativas do mandato.

## Quem fica no lugar e o que muda na cadeia de comando?

**Aaron Lukas**, actual director-adjunto principal do ODNI, assumirá funções como director interino, segundo anúncio do próprio Trump na Truth Social. É a quarta saída de um membro do gabinete desde o início do segundo mandato: a secretária da Segurança Interna Kristi Noem e a procuradora-geral Pam Bondi foram demitidas, enquanto a secretária do Trabalho Lori Chavez-DeRemer apresentou a demissão em Abril.

A rotatividade no núcleo duro da administração levanta questões sobre a estabilidade da equipa de segurança nacional num momento em que os EUA estão envolvidos em operações militares activas, designadamente as acções contra o Irão, e em pressões militares na América Latina contra a Venezuela.

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*Artigo publicado em [Ponto Radar](https://www.pontoradar.com/artigos/tulsi-gabbard-abandona-chefia-da-inteligencia-dos-eua). Autor: [Miguel Cruz](https://www.pontoradar.com/autores/miguel-cruz). Última actualização: 2026-05-23T00:18:06.647Z.*
