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Portugal bate quatro recordes nacionais em Gaborone e qualifica todas as estafetas para Pequim 2027

A comitiva portuguesa, composta por 15 atletas, alinhou em três disciplinas — 4x100 metros femininos, 4x100 metros mistos e 4x400 metros masculinos — e cumpriu na íntegra os dois grandes objetivos definidos pela Federação Portuguesa de Atletismo: baixar marcas nacionais e carimbar bilhetes para a China.

Portugal bate quatro recordes nacionais em Gaborone e qualifica todas as estafetas para Pequim 2027

O atletismo português viveu um dos seus fins de semana mais marcantes de sempre nas estafetas. Nos Campeonatos do Mundo de Estafetas 2026, disputados a 2 e 3 de maio no Estádio Nacional de Gaborone, capital do Botsuana, a Seleção Nacional bateu quatro recordes nacionais e garantiu a qualificação das três equipas em prova para os Mundiais de Atletismo de Pequim 2027.

A comitiva portuguesa, composta por 15 atletas, alinhou em três disciplinas — 4x100 metros femininos, 4x100 metros mistos e 4x400 metros masculinos — e cumpriu na íntegra os dois grandes objetivos definidos pela Federação Portuguesa de Atletismo: baixar marcas nacionais e carimbar bilhetes para a China.

4x100 metros femininos: 43,11 segundos

Logo no sábado, no primeiro dia de provas, o quarteto formado por Lorène Bazolo, Tatjana Pinto, Beatriz Castelhano e Arialis Gandulla estabeleceu um novo máximo nacional de 43,11 segundos na terceira série de qualificação. A marca melhorou o anterior recorde de 43,86 segundos, fixado em Madrid em junho de 2025, e garantiu, simultaneamente, presença na final de domingo e qualificação direta para Pequim 2027.

Na final disputada no segundo dia, a equipa portuguesa esteve em pista mas não concluiu a prova. O apuramento para os Mundiais, contudo, já estava assegurado.

4x100 metros mistos: dois recordes em dois dias

A estafeta mista, estreante absoluta para Portugal nesta competição, foi a que mais surpreendeu. No sábado, a formação composta por David Landim, Lorène Bazolo, Delvis Santos e Arialis Gandulla correu a primeira ronda em 41,45 segundos, batendo o anterior recorde nacional de 41,86 fixado em Bruxelas em agosto de 2025.

No domingo, com uma formação reformulada — Carlos Nascimento, Tatjana Pinto, Delvis Santos e Arialis Gandulla —, Portugal voltou a melhorar a marca, desta vez para 40,76 segundos, terminando em segundo lugar na primeira série da segunda ronda de qualificação. O resultado, ainda que não tenha permitido o acesso à final, garantiu a presença nos Mundiais de Pequim 2027, reservada aos dois primeiros classificados de cada uma das duas séries de repescagem.

“É uma sensação de euforia. Sábado prometemos, mas melhor que prometer, gostamos de cumprir com resultados”, declarou Delvis Santos, citado pela federação.

4x400 metros masculinos: 2:59,01 e quarto lugar na final

Na prova rainha das estafetas, Pedro Afonso, Ericsson Tavares, João Coelho e Omar Elkhatib voltaram a entrar nos livros do atletismo nacional. Na qualificação de sábado, a equipa cronometrou 2:59,01 minutos, melhorando o recorde nacional de 2:59,70 que os próprios tinham estabelecido nos Mundiais de Tóquio 2025. O tempo, igualado pelo Zimbabué na mesma série, valeu o apuramento para a final e para Pequim 2027.

Na final de domingo, num registo da maior exigência, os portugueses terminaram em quarto lugar com 2:59,75, à frente do mesmo Zimbabué (2:59,79), dos Países Baixos e da Bélgica. A vitória sorriu ao Botsuana, que, perante o seu público, estabeleceu novo recorde da competição em 2:54,47 minutos, seguido pela África do Sul e pela Austrália.

Os oito finalistas garantiram lugar em Pequim, com a ordem de chegada a determinar a atribuição das pistas.

“Estamos muito contentes. Temos vindo a melhorar e a provar que esta equipa é muito forte. O principal já fizemos: o apuramento para a final e para os Campeonatos do Mundo de 2027”, afirmou João Coelho, no final da qualificação.

Um marco para o atletismo português

Os Mundiais de Estafetas funcionam como principal via de apuramento para os Mundiais de Atletismo, com os dois primeiros de cada série da primeira ronda e os dois melhores tempos a garantirem vaga direta. Nas finais do segundo dia, as equipas competem pelos prémios monetários e pelas posições de seriação nas pistas para Pequim.

Portugal participou pela quinta vez na competição. A única medalha continua a ser o bronze conquistado nos 4x200 metros masculinos em Silésia 2021, mas a prestação em Gaborone consolida uma trajetória ascendente numa disciplina coletiva onde o atletismo nacional não tinha tradição relevante.

Em dois dias de competição, Portugal saiu do Botsuana com quatro recordes nacionais batidos, três qualificações para os Mundiais de Pequim 2027 e a confirmação de que as estafetas se tornaram, finalmente, um capítulo de afirmação para o desporto nacional.

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