Cerca de 1,7 milhões de eleitores na Saxónia-Anhalt votam este domingo num escrutínio regional em que a Alternativa para a Alemanha, com Ulrich Siegmund à cabeça, lidera as sondagens com cerca de 41%, longe dos 23% da CDU, 11,5% da Esquerda e 8,5% do SPD. O partido ambiciona, pela primeira vez, maioria absoluta e governar sozinho; abaixo disso, o «cordão sanitário» dos restantes bloqueia qualquer coligação. Em jogo estão deportações de imigrantes ilegais, soberania local e o sinal para Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental no final do mês.
Siegmund, 41% e a barreira dos 5%
Siegmund declarou que «é aqui que vamos fazer História» e avisou que só quer governar com maioria absoluta do seu partido. O resultado dos partidos mais pequenos decide: quanto mais formações ultrapassarem os 5% e entrarem no parlamento de Magdeburgo, menores são as hipóteses de a AfD obter maioria de lugares. Grupos apelaram a voto táctico; só os Verdes apoiam abertamente essa campanha. AfD, CDU, Die Linke, SPD, FDP e BSW encararam a recomendação com reservas. Segundo o Politbarómetro da ZDF, 26% dos inquiridos permaneciam indecisos pouco antes do escrutínio. As assembleias abrem das 8h às 18h em Magdeburgo, Halle e restante estado.
Imigração, escolas e o bloqueio dos rivais
Entre as promessas de Siegmund figura a deportação de todos os imigrantes em situação ilegal e a proibição de bandeiras LGBT nas escolas. A CDU do primeiro-ministro regional Sven Schulze exclui coligação com a AfD e, por cláusula de congresso, rejeita também coligações e formas semelhantes de cooperação com Die Linke; admite, porém, cooperar com as restantes forças. O ambiente está exaltado: o Serviço de Proteção da Constituição no estado depende de um departamento do Ministério do Interior liderado pela CDU. A esquerda mediática rotula a AfD para isolar o eleitorado que prioriza fronteiras e ordem nas escolas; os números das sondagens mostram que esse eleitorado não desapareceu.
O que o cordão sanitário esconde
O cordão sanitário transforma a vontade popular em veto partidário: se a AfD ficar à frente sem maioria absoluta, os outros partidos juram impedir o governo. Isso não apaga a agenda que atraiu os 41% — controlo migratório e rejeição de simbolismo ideológico nas escolas. Para o contribuinte alemão, e por eco europeu, o teste é simples: ou as urnas traduzem-se em execução política, ou o bloqueio reforça a percepção de que o sistema filtra resultados indesejados.