Drones ucranianos forçam Rússia a importar combustível

Ataques a refinarias invertem o mapa energético russo e o Kremlin ameaça a Lituânia por armas nucleares. Realismo geopolítico na Europa.

Drones ucranianos forçam Rússia a importar combustível

Drones ucranianos forçam Rússia a importar combustível

Os drones ucranianos inverteram o papel da Rússia no mercado de combustíveis: o antigo maior exportador mundial de produtos petrolíferos passa a importar gasolina e derivados, enquanto o Kremlin avisa a Lituânia de que instalar armas nucleares a tornará alvo das Forças Estratégicas russas. A Europa paga o preço da escalada em energia e segurança.

Porque a Rússia compra agora gasolina à Coreia do Sul e à Turquia?

Segundo o relatório do think tank Centro de Investigação em Energia e Ar Limpo (CREA), publicado a 10 de setembro, as importações russas de petróleo dispararam para 172 mil toneladas métricas em agosto — mais de sete vezes o recorde mensal anterior. Moscovo, além de Bielorrússia e Cazaquistão, passou a importar da Índia e foi forçada a recorrer à Coreia do Sul e a recomprar gasolina refinada a partir do seu próprio crude indiano. A Turquia parece ter começado a enviar gasolina, com as primeiras cargas a chegarem em setembro de 2026.

Os ataques ucranianos à capacidade de refinação inverteram a situação. As receitas da exportação de petróleo bruto por via marítima caíram 13%. O terminal de Sheskharis sofreu impacto e os envios em Novorossiysk baixaram 58% face ao mês anterior, com paralisação de carregamento durante nove dias consecutivos — a mais longa desde o início da invasão em grande escala. O porto de Tuapse, quarto maior de exportação de produtos petrolíferos antes da guerra, não embarcou qualquer carga pelo terceiro mês consecutivo. A receita de produtos petrolíferos por via marítima caiu 32%, para 78 milhões de euros por dia, o nível mais baixo desde o início da invasão.

O que significa o aviso de Peskov à Lituânia?

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que se aparecerem armas nucleares apontadas contra a Rússia no território lituano, o país ficará na mira das armas nucleares russas. Considerou a decisão «algo previsível» e um agravamento da escalada: essas armas estariam apontadas para leste, contra Moscovo, e não contra o Ocidente.

O presidente do Parlamento lituano, Juozas Olekas, declarou que o órgão planeia aprovar em breve uma emenda constitucional para eliminar a proibição de armas de destruição maciça. Os calendários legislativos deverão prolongar o período de sessões de outono, provavelmente até 13 de janeiro de 2027, para aprovar o artigo. Olekas defendeu que a norma actual já não representa as realidades geopolíticas.

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