Na declaração final da missão de avaliação anual à economia portuguesa, divulgada na quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional escreveu o que muitos recusam admitir: os apoios aos jovens na compra de casa — garantia pública de crédito, isenção de IMT e de Imposto de Selo — não resolvem a crise da habitação. Agravam-na.
O diagnóstico que o Governo preferia não ouvir
A linguagem do FMI é cirúrgica: as medidas "visam melhorar a acessibilidade, mas não são sujeitas a condição de recursos, ao mesmo tempo que estimulam a procura e contribuem para o agravamento dos desequilíbrios". Traduzindo para português corrente: o Estado está a injectar procura num mercado onde a oferta já não acompanha, empurrando os preços ainda mais para cima — e fazendo-o sem sequer verificar se os beneficiários precisam do apoio. Um jovem com rendimentos confortáveis recebe exactamente o mesmo que um jovem sem capacidade de poupança. A condição de recursos — critério básico de qualquer prestação social séria — simplesmente não existe.


