Na sala, o ecrã apaga-se com o botão do comando. A conversa continua — refeições, reuniões, confidências. Segundo a análise técnica divulgada esta semana, várias Smart TV OLED da LG mantêm o microfone activo, gravam o ambiente na memória flash e, quando a Internet regressa, enviam os ficheiros para servidores da marca.
O que a análise ao tráfego das OLED LG mostrou
Investigadores independentes, com o canal Gamers Nexus e a Level1Techs, interceptaram o tráfego com Wireshark e desmontaram código. As televisões digitalizavam a rede local em busca de smartphones e outros aparelhos sem relação com a TV, extraindo e registando endereços IP, SSID, intensidade de sinal de redes vizinhas e localização geográfica.
Com o ecrã desligado — e mesmo após cortar a ligação à rede doméstica — a gravação de áudio não parava. O som ficava na flash interna e era transmitido aos servidores da LG assim que a ligação era restabelecida. Desactivar o microfone principal nas definições pode não bastar: há indícios de um segundo microfone activo. Comandos de voz seriam convertidos em texto e o sistema manter-se-ia «à escuta» durante 10 a 15 segundos após a pessoa parar de falar.
webOS, root remoto e o risco no escritório
A mesma análise expôs falhas críticas no webOS que permitem obter privilégios de administrador e acesso remoto. Isso transforma a TV num potencial dispositivo de escuta capaz de transmitir áudio ao vivo — não só dos microfones integrados ou do comando, mas também de periféricos USB como webcams. Em salas de reuniões e ambientes profissionais, onde ecrãs grandes da marca são comuns, o stake deixa de ser só publicidade e passa a ser confidencialidade operacional.
Paralelamente, o Reconhecimento Automático de Conteúdo (ACR) captura clips de cerca de seis segundos do que está no ecrã — vídeo e áudio — gera uma «impressão digital» e envia-a para a LG Ad Solutions. A marca terá vendido cerca de 216 milhões de smart TV a nível global; a recolha de dados referida abrange uma escala na ordem das centenas de milhões de dispositivos.