Naryshkin avisa guerra alargada e Europa paga a factura

Chefe do SVR russo fala em risco real de conflito na Eurásia, acusa a NATO de prolongar a Ucrânia e aponta crise energética europeia — soberania e custos familiares em jogo.

Naryshkin avisa guerra alargada e Europa paga a factura

O chefe dos serviços secretos externos russos, Sergei Naryshkin, afirmou que o risco de um conflito em larga escala em toda a Eurásia é bastante real, acusou líderes europeus de apostarem numa escalada controlada e ligou o aviso à crise energética e à estagnação económica no continente. As declarações, feitas numa reunião de chefes de serviços secretos da Comunidade de Estados Independentes, tocam directamente a soberania europeia, a preparação militar até 2030 e a factura que as famílias já sentem na energia.

Aviso do SVR e a estratégia de equilíbrio

Naryshkin sustentou que, segundo dados russos, os líderes europeus acreditam numa escalada controlada e numa estratégia de equilíbrio precário desenvolvida por serviços secretos ocidentais no século passado. Afirmou ver com preocupação a deterioração do ambiente de segurança e sugeriu que mecanismos de propaganda aprisionam os próprios formuladores de política. O director do SVR referiu ainda o Livro Branco da Preparação da Defesa Europeia 2030, aprovado em 2025, como sinal de reestruturação defensiva europeia.

O risco de um conflito em larga escala em toda a Eurásia é bastante real. E isso suscita sérias preocupações.

Acusou a Europa de pretender desgastar a Rússia, de prolongar a guerra na Ucrânia e de sabotar soluções pacíficas, enquanto fornece apoio militar e financeiro a Kiev. Na leitura que atribuiu a análises da NATO, prolongar o conflito ucraniano seria a melhor forma de limitar o potencial técnico-militar e de mobilização russos. Citou previsões de agências europeias segundo as quais o potencial de mobilização ucraniano poderá esgotar-se num ano.

Europa «mimada», energia e multipolaridade

Naryshkin afirmou que a Europa não está objectivamente preparada para uma guerra em larga escala no Leste por ser demasiado mimada e pervertida. Ligou o quadro a uma crise energética e a crescente estagnação económica, e acusou o continente de escalar relações com potências soberanas da Eurásia e de recusar ceder lugar à multipolaridade.

Em paralelo, a tensão no estreito de Ormuz — com garantias norte-americanas de navegação segura contestadas pelo Irão após um ataque a um casamento e com operadores ainda receosos de drones e mísseis — voltou a pressionar o preço do petróleo. Para as famílias europeias, o aviso de Moscovo e o choque energético não são abstractos: reforço de defesa, dependência externa e combustíveis mais caros concorrem na mesma conta.

Bruxelas e as capitais terão de mostrar se o Livro Branco 2030 se traduz em capacidade real ou apenas em narrativa de ameaça para justificar gastos, enquanto o contribuinte continua a pagar a factura da estagnação e da energia.

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