O movimento woke tem sido amplamente discutido nos últimos anos, tanto nas redes sociais como nos meios de comunicação. De um lado, estão aqueles que o defendem como uma necessária resposta às injustiças sociais. Do outro, há quem aponte para os excessos de um puritanismo moral moderno, que, disfarçado de justiça social, acaba por sufocar a liberdade de pensamento e expressão.
A liberdade, acima de tudo, é fundamental para o progresso de qualquer sociedade. Não apenas a liberdade para inovar, mas também a liberdade de discordar, de arriscar e até de falhar. Sem esse espaço para experimentar, corremos o risco de estagnação. O movimento woke, na sua vertente mais extremada, promove uma cultura de cancelamento que faz precisamente o contrário: cria um ambiente de receio, onde qualquer opinião ou comentário fora do que é considerado “aceitável” pode levar a consequências imediatas e severas, como a perda de reputação ou carreira. Esta atmosfera de censura esmaga a curiosidade intelectual e impede a exploração de novas ideias, fundamentais para o progresso social e cultural.
Há um certo risco, nestes movimentos, de se transformar numa nova forma de conformismo. Sob a bandeira da justiça social, o movimento woke muitas vezes cai numa visão autoritária do que deve ser dito e pensado. Como se a sociedade devesse ser um espaço completamente imune ao desconforto, às contradições e, acima de tudo, ao erro. A criatividade e o avanço nascem, muitas vezes, da fricção entre ideias, do questionamento do que parece ser uma verdade estabelecida. Se não podemos debater, se não podemos chocar ou desafiar, então qualquer forma de progresso – seja ele científico, social ou artístico – fica comprometido.



