RTP pagou viagem de deputada PS ao Porto com prejuízo de 4 M€

A televisão pública transportou a vereadora socialista Alexandra Leitão de Lisboa ao Porto para um debate, enquanto acumulava prejuízo de 3,9 milhões de euros em 2025.

RTP pagou viagem de deputada PS ao Porto com prejuízo de 4 M€

Há quatro factos a reter no caso que levou PSD e Chega ao Parlamento para pedir explicações à administração da RTP sobre a disponibilização de uma viatura da televisão pública à vereadora socialista da Câmara de Lisboa Alexandra Leitão.

1. O que aconteceu a 29 de abril

A RTP colocou um carro ao serviço de Alexandra Leitão para a transportar de Lisboa ao Porto, onde participou no programa Grande Debate, emitido em directo a partir dos estúdios do Monte da Virgem. O tema do debate era a Identidade de Género e Transexualidade, com a controvérsia das terapias de conversão como ponto de partida. Durante a viagem, a ex-ministra da Modernização do Estado participou, por videochamada, numa reunião do executivo municipal lisboeta. Por outras palavras, exerceu funções autárquicas a partir do banco de uma viatura do serviço público de televisão.

2. A RTP que não tem dinheiro para ter dinheiro

A mesma empresa que disponibilizou o transporte fechou o ano de 2025 com um resultado líquido negativo de cerca de 3,9 milhões de euros, o primeiro prejuízo em quinze anos. A administração liderada por Nicolau Santos atribui o resultado a «receitas trancadas desde 2016 e ao aumento geral de todo o tipo de encargos nesse período». Dito de outra forma, a empresa pública não tem folga financeira, mas encontrou disponibilidade para servir de motorista a uma vereadora socialista. A despesa concreta desta deslocação, segundo a RTP, terá rondado os 200 euros.

3. A versão da RTP e de Alexandra Leitão

Alexandra Leitão confirmou que pediu para participar no debate por videoconferência. A RTP terá respondido que tal era tecnicamente impossível e disponibilizou o transporte. A vereadora aceitou, foi ao Porto e regressou a Lisboa no mesmo dia. Sublinhou ainda que esteve no programa na qualidade de professora universitária e não de titular de cargo político. Aceita-se o esclarecimento. Fica por explicar como é que uma professora universitária, em deslocação de trabalho académico paga pela televisão pública, dá entrada simultânea numa reunião do executivo camarário pelo telemóvel.

4. O Parlamento entra em campo, com um asterisco

O grupo parlamentar do PSD entregou um requerimento na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto para ouvir o Conselho de Administração da RTP. O documento menciona Alexandra Leitão apenas numa nota de rodapé, centrando o argumento na necessidade de «transparência, proporcionalidade e equidade» na afectação de meios. O asterisco está aqui: o deputado social-democrata Bruno Vitorino participou no mesmo debate, com a RTP a suportar quer a deslocação no seu próprio carro (paga mediante apresentação de facturas) quer a estadia em Porto. Detalhe que o requerimento do PSD não destaca. O Chega apresentou requerimento separado para ouvir o Conselho de Administração e os directores de informação de televisão e rádio sobre «um grave quadro de instabilidade interna» na empresa, invocando a controvérsia da nova imagem da RTP, a deterioração financeira e a aprovação de greve em resposta à proposta de corte salarial. Os dois requerimentos eram votados a 13 de Maio.

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