Há quatro factos concretos a considerar no arranque do ano lectivo na Madeira: o sindicato dos professores denuncia um corte abrupto de contratações, o número de alunos sobe, as escolas do Norte falham a fixar docentes e o pré-escolar fica especialmente exposto.
1. O corte de 400 para 216 contratados
O Sindicato dos Professores da Madeira classificou o processo de colocação para 2026/2027 como «desastre» e «as piores desde 2014». Segundo o coordenador Francisco Oliveira, no ano passado foram contratados mais de 400 professores; este ano ficaram em 216, afectados a 62 estabelecimentos. Entretanto saíram mais de 200 docentes do sistema — 150 por aposentação e 57 por colocação no continente. O sindicato exige agora pelo menos 500 contratações para cobrir o buraco.
2. Mais alunos, não menos
A justificação demográfica não cola. Oliveira rejeita que haja menos alunos: «Há mais alunos nas escolas», com pressão de estrangeiros e lusodescendentes, sobretudo da Venezuela. Há estabelecimentos que tiveram de fazer obras para abrir mais salas. Sem professores, o sistema regional perde sustentabilidade — e quem paga a factura são as famílias e os alunos que começam aulas sem quadro completo.
3. Norte e pré-escolar no fio da navalha
As escolas do Norte têm maior dificuldade em fixar docentes; deslocar quadros do Sul gera prejuízo familiar e financeiro. No pré-escolar a situação é aguda: no ano passado contrataram-se 51 educadoras na primeira fase; este ano apenas três para o Porto Santo. Vinte e sete educadoras dos quadros ficaram por colocar na primeira fase, o que arrasta dezenas de contratadas que precisam de tempo de serviço para vinculação. Passar de duas educadoras por sala para uma agrava o risco.
4. Manifestação e mandato de greve
Na quarta-feira o SPM promove a «Tribuna Pública da Indignação» em frente à Secretaria Regional de Educação, no Funchal. Em Julho uma assembleia geral de educadores e do 1.º ciclo já mandatou a direcção para todas as formas de luta, incluindo greve. O ano lectivo arranca a 10 de Setembro no 1.º ciclo e entre 11 e 14 nos restantes ciclos; o pré-escolar já começou. A Secretaria ainda não divulgou totais de professores, alunos e escolas.
O Estado regional corta no quadro enquanto a procura escolar sobe. Sem correcção imediata das colocações antes da abertura plena das turmas, a sobrecarga cai sobre quem já está ao serviço, sobem as baixas e a qualidade do ensino regional degrada-se de forma mensurável.