Giorgia Meloni anunciou um pacote escolar que proíbe burqa e niqab nas aulas italianas, obriga pais de alunos com dificuldades graves de integração a aprender italiano e introduz um limite ao número de alunos estrangeiros por turma. A medida chega com a imigração no centro da corrida eleitoral de 2027 e com pressão da direita do seu próprio campo.
O que Meloni exige exactamente nas salas de aula?
A primeira-ministra disse que quem chega a Itália e quer construir futuro tem de aprender a língua, compreender a cultura e respeitar as regras — «a única forma séria de os acolher». O pacote inclui:
- proibição de burqa e niqab nas escolas
- aulas de italiano obrigatórias para pais de alunos com «sérias dificuldades de integração»
- tecto legal ao número de alunos estrangeiros por turma
Depois de aprovado pelo governo, o Parlamento tem 60 dias para transformar as mudanças em lei. Já existe um limite de 30% de alunos estrangeiros por turma e escola; Meloni não detalhou como o reforçaria. Os estrangeiros representam cerca de 12% da matrícula escolar.
Porque é que a burqa e o niqab entraram no debate escolar?
Burqa cobre o rosto inteiro, incluindo os olhos com rede; niqab deixa só os olhos visíveis. Nenhuma está expressamente proibida em Itália, mas uma lei de 1975 veda capacetes ou peças que dificultem a identificação sem justificação. Um acórdão de 2008 permitiu coberturas totais por motivo religioso ou cultural se o rosto for revelado quando a identidade for pedida. A Liga, na coligação, apresentou este ano projecto para endurecer a regra; em Julho o Futuro Nazionale de Roberto Vannacci pediu crackdown na burqa escolar; em Agosto o ministro da Educação propôs emenda no pacote de segurança. França, Bélgica e Áustria já restringem coberturas faciais em espaços públicos ou escolas.
Como Meloni liga o tecto de estrangeiros à «mentira» da integração?
«É inaceitável que numa sala de aula italiana as crianças que acabam encurraladas sejam as italianas porque se tornaram minoria. Isso não pode ser permitido.»
«Chamar a isto integração é mais uma mentira, conveniente para quem vive de ideologia, para quem nos prega da sala de estar e depois manda os próprios filhos para escolas onde este problema não existe.»