A NASA anunciou novas iniciativas para alargar o acesso internacional a dados, amostras e resultados científicos do programa Artemis e, em paralelo, apresentou com a IBM um modelo de inteligência artificial de código aberto para analisar a superfície lunar. O quadro assenta nos Acordos Artemis, assinados por 71 países, e visa exploração civil, segura e transparente do espaço.
Que workshops fixaram a partilha Artemis?
Entre 28 de julho e 8 de setembro, a agência promoveu dois workshops virtuais sobre ciência aberta. O primeiro centrou-se nos fundamentos e em métodos para aplicar o conceito em projectos internacionais, com ênfase em interoperabilidade, transparência, acessibilidade e reprodutibilidade. O segundo mostrou ferramentas de organização e distribuição de dados, incluindo o Planetary Data System, dados lunares já públicos, instrumentos de visualização e análise, e padrões de estruturação da informação. Os encontros dão sequência a conversas iniciadas pela ISRO em maio sobre práticas de dados abertos.
O que disseram Mitchell e Bleacher sobre abrir a Lua?
Andrew Mitchell, vice-diretor de dados científicos da Diretoria de Missões Científicas da NASA, sublinhou que a abertura depende de mudanças nos processos de investigação, e não só de novas plataformas digitais. Jacob Bleacher, cientista-chefe de exploração da NASA, afirmou que a agência está a disponibilizar gratuitamente dados, ferramentas e resultados e a convidar os parceiros dos Acordos Artemis a inovar e a partilhar os seus próprios dados. No Artemis, a partilha cobre informações de missões lunares, incluindo rochas, experiências e descobertas.
Para que serve o modelo NASA-IBM Lunar Foundation?
A IBM e a NASA lançaram o NASA-IBM Lunar Foundation Model, treinado com mais de 30 camadas de dados de nove instrumentos em quatro missões, entre elas o Lunar Reconnaissance Orbiter. Integra a família Prithvi de modelos geoespaciais e científicos. Nos testes, identificou características do terreno lunar com precisão até 23% superior a métodos comuns. A ferramenta visa acelerar a procura de gelo e de zonas seguras de pouso — gelo que aponta para água e oxigénio úteis a bases e a combustível para missões mais longas, incluindo Marte. O Artemis prevê o regresso de astronautas à superfície lunar em 2028.
Os signatários deverão agora alinhar sistemas nacionais de dados com o modelo de referência apresentado, enquanto o calendário Artemis de 2028 testa na prática a utilidade desta abertura e desta IA.