Brent a 100$ sobe bombas; buzinão exige fim do ISP

Petróleo europeu ultrapassou 100 dólares e o gasóleo já subiu 12 cêntimos esta semana; utentes da 25 de Abril marcam buzinão segunda-feira contra ISP e portagens.

Brent a 100$ sobe bombas; buzinão exige fim do ISP

Brent a 100$ sobe bombas; buzinão exige fim do ISP

O barril de Brent ultrapassou os 100 dólares esta quarta-feira e, se a tendência se mantiver, os postos portugueses voltam a subir já na próxima semana. Esta semana o gasóleo avançou cerca de 12 cêntimos por litro e a gasolina 9 cêntimos, com os portugueses entre os que mais pagam na Europa. Na segunda-feira, utentes da Ponte 25 de Abril marcam buzinão às 08h00 no Pragal, em Almada, a exigir a suspensão do ISP, do IVA nos combustíveis e das portagens.

Porque o Brent a 100 dólares chega já às bombas?

A cotação de referência europeia não era atingida há mais de um mês. A escalada militar entre Estados Unidos e Irão e a crise no Estreito de Ormuz disparam crude, produtos refinados e gás natural. O petróleo está quase 50% mais caro do que no início do ano, depois de um pico de 115 dólares em maio. Num mercado de descidas lentas e aumentos imediatos, o reflexo nos postos é directo. A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis já reconheceu a inevitabilidade da subida; o valor final depende ainda da margem de desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos.

O que pedem os utentes da 25 de Abril na segunda-feira?

A associação de utentes convocou buzinão para as 08h00 de segunda-feira na ponte do Pragal. Exigem suspensão do ISP e do IVA nos combustíveis, suspensão das portagens, apoio às empresas distribuidoras de bens essenciais e IVA zero em alimentos e medicamentos. Em comunicado, a estrutura afirma que no regresso de férias encontraram o país pior e denuncia «malabarismos do Governo, de forma a engordar cada vez mais os cofres do Estado com as variações do preço do petróleo», que trouxeram «mais sofrimento para as famílias portuguesas».

Os preços altos são o novo normal ou um pico passageiro?

Especialistas descrevem volatilidade permanente: com duas guerras em regiões produtoras e refinadoras sem solução à vista, as medidas de atenuação aparecem como paliativas. António Costa Silva, antigo ministro da Economia, admitiu estar «muito preocupado com a evolução dos preços dos combustíveis». A leitura dominante é que os preços podem ainda piorar antes de qualquer alívio, e que as descidas serão mais lentas do que as subidas. Quem enche o depósito todas as semanas sente já o rombo; o Estado, via ISP e IVA, continua a capturar uma fatia fixa de cada litro.

O próximo teste concreto é o buzinão de segunda-feira às 08h00 no Pragal e a evolução das cotações até ao fim desta semana, que determina o que as bombas cobram na próxima.

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