Euribor disparam e encarecem crédito da casa

As taxas dão o maior salto em meio ano; famílias com crédito variável pagam já mais, com energia e BCE a empurrar novos apertos até Outubro.

Euribor disparam e encarecem crédito da casa

Na segunda-feira os ecrãs dos mercados europeus mostraram o que as famílias com crédito à habitação já sentem no bolso: as Euribor deram o maior salto em cerca de meio ano e renovaram máximos de cerca de dois anos. Quem tem taxa variável vai ver a prestação subir.

O salto das Euribor a seis e a doze meses

A taxa a seis meses — a mais usada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, com 39,87% do stock de empréstimos para habitação própria permanente, segundo dados do Banco de Portugal referentes a Julho — fixou-se em 2,936%, mais 0,116 pontos face a sexta-feira e novo máximo desde Novembro de 2024. A doze meses avançou para 3,312% (+0,152 pontos), máximo desde Agosto de 2024. A três meses ficou em 2,664% (+0,017). As Euribor a doze e a três meses representam 31,26% e 24,40% do mesmo stock.

Na quinta-feira anterior o Banco Central Europeu subiu as taxas diretoras em 25 pontos base, após a manutenção de Julho e o primeiro aumento desde Setembro de 2023, em Junho. Os mercados antecipam mais dois aumentos até ao fim do ano. A próxima reunião de política monetária está marcada para 28 e 29 de Outubro em Frankfurt.

Energia, Médio Oriente e inflação a 3,3%

O petróleo atingiu 107 dólares por barril e o gás natural acelerou mais de 5% para máximos de 2023, depois de a Arábia Saudita ter encerrado um oleoduto alternativo ao Estreito de Ormuz, enquanto Omã adiou a reunião entre o Irão e os países do Golfo. O estreito mantém-se bloqueado de forma intermitente desde 28 de Fevereiro.

«A verdade é que não se vê uma luz ao fundo do túnel, um fator positivo, em termos de tendências dos preços da energia. O mercado está a acordar para a realidade sobre onde é que estamos em termos de gás, produtos refinados e energia. Mesmo que se resolva a guerra no Irão, há muita coisa que teria de acontecer nos produtos refinados para a situação normalizar.»

A frase é do economista Filipe Garcia, presidente da consultora IMF. Preços de energia mais altos e por mais tempo alimentam pressão nos preços ao consumidor. A inflação na Zona Euro avançou para 3,3% em Agosto; as projeções do BCE apontam para pelo menos dois anos até regressar ao objectivo de 2%. Para evitar uma nova espiral como a de 2023, Frankfurt aperta as condições financeiras — e o indexante do crédito da casa sobe com ela.

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