Montenegro corta IRS: 12 euros anuais para mil euros

A quinta descida do IRS até ao 6.º escalão poupa 12 euros por ano a quem ganha mil euros brutos e custa 400 milhões — alívio simbólico embalado como viragem fiscal.

Montenegro corta IRS: 12 euros anuais para mil euros

Montenegro corta IRS: 12 euros anuais para mil euros

Na noite de quinta-feira, Luís Montenegro falou ao país sem perguntas da imprensa e apresentou a quinta redução do IRS do seu Governo: taxas a descer entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais até ao 6.º escalão, com efeito nos rendimentos de 2026 e nas retenções já a partir de novembro e do subsídio de Natal.

As simulações de Finanças e os 12 euros do salário de mil

O Ministério das Finanças divulgou contas claras. Um solteiro sem filhos com mil euros brutos mensais poupa 12,1 euros no conjunto do ano face às taxas do Orçamento de 2026. Com dois mil euros, a poupança sobe para 100,44 euros. Um casal com dois dependentes (salários de 2.500 e 1.500 euros) fica com mais 200,88 euros anuais; outro com 5.000 e 3.000 euros chega a 343,66 euros. Pensionistas com mil ou dois mil euros de reforma repetem os mesmos 12,1 e 100,44 euros. A descida no 1.º escalão é de 0,3 pontos; do 2.º ao 5.º, 0,5; no 6.º, outra vez 0,3. Do 7.º ao 9.º as taxas nominais mantêm-se, embora o carácter progressivo do imposto arraste algum benefício residual.

O Executivo fala em mais de 2,9 milhões de agregados abrangidos e num impacto de 400 milhões de euros. Acumula esta medida num pacote de «2.300 milhões» devolvidos — ISP, suplemento de pensões, passe verde, botija solidária, apoios a agricultores e uma contribuição sobre lucros petrolíferos. É a quinta descida de IRS deste ciclo, que o Governo estima já ter aliviado famílias em 2.400 milhões no total histórico das reduções.

O contraste entre o anúncio e a carteira de novembro

Montenegro citou José Sócrates para afastar «ilusões hoje» e «pesados preços amanhã», recusando trocar cêntimos de ISP ou IVA alimentar por mais défice e dívida. A retórica é de disciplina. Os números na folha de vencimento contam outra história: para a mediana baixa e média-baixa, a «poupança» anual cabe num jantar fora. Tabelas de retenção serão actualizadas com retroactivos a janeiro, o que melhora a liquidez nos últimos meses de 2026, mas não transforma 12 euros num alívio estrutural face à carga fiscal total que o Estado continua a extrair em IRS, IVA e contribuições.

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