Reconquista a 5,2% pressiona Ventura e redefine a direita

Sondagem Intercampus dá 5,2% ao movimento de Afonso Gonçalves; especialistas vêem risco misto e espaço para o Chega centrar-se na direita.

Reconquista a 5,2% pressiona Ventura e redefine a direita

Reconquista a 5,2% pressiona Ventura e redefine a direita

O movimento Reconquista, liderado por Afonso Gonçalves e defensor da remigração, prepara-se para se transformar em partido e disputar o eleitorado do Chega. Uma sondagem encomendada à Intercampus atribui-lhe 5,2% de intenções de voto. Especialistas admitem efeitos mistos para André Ventura: ameaça de perda de votos, mas também oportunidade de o Chega se afirmar como força central da direita portuguesa, num padrão já visto noutros países europeus.

Sondagem Intercampus e o espaço à direita do Chega

Segundo análise de especialistas, o sucesso do próprio Chega abre espaço potencial. Basta uma fracção dos eleitores — referidos como cerca de um décimo dos 25% a 30% que pedem mais em imigração e segurança — para uma nova força se afirmar. André Azevedo Alves, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, considera que os efeitos para o Chega «seriam mistos». Há «potencial de ameaça» de perda de eleitorado, mas «haver um partido com representação parlamentar claramente mais radical à direita permitiria a André Ventura credibilizar-se como uma alternativa relativamente moderada de governação». Mesmo com poucos deputados, a nova força ajudaria a tornar o Chega num «partido central da direita».

Estrutura do Reconquista versus o arranque do Chega

O investigador Riccardo Marchi, que estudou a direita radical portuguesa e acompanhou o nascimento do Chega, sublinha que o Reconquista «tem uma estrutura que o Chega não tinha no início», com centenas de militantes e pequenos núcleos espalhados pelo território. Em 2018, o partido de Ventura contava com «meia-dúzia de gatos pingados, amigos de André Ventura». Marchi adverte, porém, que «5% no papel não é automaticamente 5% nas urnas», antevendo forte apelo ao voto útil: «Quando o eleitor começar a ver que o Chega pode ultrapassar o PS por 1% ou 2%, votará no Chega».

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