O movimento Reconquista, liderado por Afonso Gonçalves e defensor da remigração, prepara-se para se transformar em partido e disputar o eleitorado do Chega. Uma sondagem encomendada à Intercampus atribui-lhe 5,2% de intenções de voto. Especialistas admitem efeitos mistos para André Ventura: ameaça de perda de votos, mas também oportunidade de o Chega se afirmar como força central da direita portuguesa, num padrão já visto noutros países europeus.
Sondagem Intercampus e o espaço à direita do Chega
Segundo análise de especialistas, o sucesso do próprio Chega abre espaço potencial. Basta uma fracção dos eleitores — referidos como cerca de um décimo dos 25% a 30% que pedem mais em imigração e segurança — para uma nova força se afirmar. André Azevedo Alves, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, considera que os efeitos para o Chega «seriam mistos». Há «potencial de ameaça» de perda de eleitorado, mas «haver um partido com representação parlamentar claramente mais radical à direita permitiria a André Ventura credibilizar-se como uma alternativa relativamente moderada de governação». Mesmo com poucos deputados, a nova força ajudaria a tornar o Chega num «partido central da direita».


